Providência de Gap

No início de 2012, as Irmãs da Providência de Gap fecharam a casa que mantinham na rua Geni de Oliveira Maia, no bairro Palmital, em nossa paróquia. Contudo, não há o porque de excluir a página dedicada a elas em nosso blog, pois todo o trabalho e a dedicação das irmãs que por aqui passaram, permanecem na memória e na história de nossas comunidades, principalmente na igreja de Nossa Senhora da Penha, na qual está erguido o Espaço Providência, um salão pastoral que homenageia a congregação.

O Espaço Providência foi edificado em função das comemorações do Centenário da presença da congregação no Brasil, celebrado em 2004.  Naquela ocasião, as irmãs de todo o país uniram-se em prol dessa construção, que tinha o objetivo de melhor atender as crianças do Projeto CAFE (Criança, Adolescente, Futuro e Esperança), iniciado naquela comunidade, com o apoio das irmãs residentes no Palmital e dos integrantes da Escolinha da Fé e dos grupos de Círculo Bíblico da comunidade.

Com o coração agradecido, mantemos viva a trajetória das Irmãs da Providência de Gap na terra dos luzias. Confira abaixo, um pouco da história da congregação.

Ser sinal da Providência no mundo de hoje.

Nossa História começou com a “intuição”de João Matinho Moye, um jovem francês, sacerdote diocesano. Ele, pregando as missões nos arredores da cidade de Metz, ficou impressionado com o abandono em que viviam as meninas das aldeias. Faltava alguém que lhes ensinasse a ler, a escrever e, sobretudo, quem lhes desse uma certa formação religiosa.

João Martinho quando VIU esta situação se sentiu profundamente interpelado. Começou a perguntar a si mesmo o que poderia fazer para ir ao encontro destas crianças abandonadas. Ele carregava dentro de si a experiência de um Deus que é Providência, que Cuida de tudo e de todos (as), “até mesmo dos lírios dos campos que hoje crescem a amanhã desaparecem” (Cf Mt 6,25ss).

João Martinho foi elaborando, rezando, discernindo um projeto: “enviar moças, como Jesus enviou os seus apóstolos e apóstolas, capazes de irem sozinhas nestas comunidades rurais onde não houvessem escolas”…. Ele conseguiu comunicar este seu desejo para algumas jovens. Elas também se sentiram interpeladas, desejosas de dar uma resposta concreta diante de tal situação. 

Margarida Lecomte e mais três outras companheiras foram as primeiras jovens, enviadas em Missão junto destes povoados da Região da Lorena, na França. Partiram sozinhas, sem muito preparo, confiando na Providência, numa época em que o próprio valor da mulher na França não era reconhecido.

Estas quatro jovens iniciaram um jeito novo de viver junto destas comunidades rurais , na simplicidade, na partilha, na presença junto das famílias e, sobretudo, na educação das meninas que eram menos favorecidas. É interessante ressaltar que à medida que foram vivendo junto do povo, o próprio povo foi quem lhes deu o nome: “Irmãs da Providência”.

Certamente muitas pessoas conheciam esta situação de abandono em que viviam estas meninas da região da Lorena, na França. Para João Martinho e para estas primeiras jovens, o jeito de olhar, de conhecer a situação, se tornou interpelação, se tornou compaixão, se fez projeto, se fez envio em missão. 

Naquela pequena região da Lorena, a Providência de Deus se manifestou na presença atuante de Margarida Lecomte e suas três companheiras. Elas foram capazes de “providenciar” para aquelas meninas abandonadas o que lhes faltava, ajudando-as para que tivessem mais vida.

O início da nossa história está lá no século XVIII. Outras jovens foram se juntando à Margarida Lecomte e a semente da Providência foi se espalhando. Hoje ela se faz presente em quatro continentes. Como no passado, a Providência do Pai se manifesta ao mundo de hoje através dos nossos gestos, atitudes, enfim nossa maneira de viver, de agir no meio onde estamos. Somos sinal da Providência de Deus à medida em que somos “a boca, os ouvidos, o coração, os braços, os pés” de Deus onde estamos .

A Providência de Deus passa através de nós. Ela precisa de colaboradores e colaboradoras. Ela se manifesta  através dos nossos gestos e de nossas atitudes de gratuidade, de compaixão, de solidariedade, partilha, capazes de gerar VIDA e revelar que Deus quer Providenciar sempre a Vida para todos e para todas.

Fazemos  este caminho tendo a certeza de que Deus não nos abandona. João Martinho insiste nesta confiança na Providência: “Façamos tudo o que depende de nós e Deus tomará conta daquilo que nos diz respeito.”