Nossa Paróquia: uma reflexão sobre a Unidade

em

Fernando Tiscareño, SJ 
É jesuíta, mexicano, estudante do 2º ano de Teologia na FAJE e nobre colaborador da ação pastoral em nossa Paróquia Santíssima Trindade. 

Na reunião do Conselho Pastoral Paroquial (CPP) de agosto, levei uma consideração sobre o tema da unidade e a pertença na nossa Paroquia. Veja bem, já escutei muitas vezes nas celebrações, festas, formações, as pessoas falarem “na minha comunidade”.

Não pretendo fazer um critica com afirmações que estão no ar, não. Mas, vocês não acham que ficaria mais legal falar “na minha Paroquia”?

Essa pergunta suscitou em mim uma reflexão. Uma inquietação que levou-me a elaborar uma proposta que possa ajudar a refletir justamente se a pertença, a unidade é propriamente na comunidade ou é na Paroquia ou, até pode ser em alguma coisa ainda maior. Vejamos:

O outro me complementa.

Como provocação para dispor os sentidos, assistimos ao curta-metragem “Dia e Noite” e assim abrimos espaço para o início da reflexão. O outro, embora seja diferente de mim, tem alguma coisa que me complementa, que me faz sentir inteiro. O curta nos ajudou a entender que as brigas por causa das diferenças não tem sentido, mas as qualidades que o outro tem, pois isso possibilita uma caminhada muito mais fácil, mais real, mais cristã.

A unidade será a nossa esperança.

Naquele encontro, o CPP foi dividido em três equipes. Cada um deles recebeu a missão de arrumar uma frase que estava impressa em folhas de papel, separadas por letras e colocadas dentro de um envelope, como se fosse um quebra-cabeça. Cada integrante das equipes tinha alguma incapacidade (sem a visão, sem a fala, sem os pés, sem as mãos) e assim tinham que organizar a frase.

Muitas vezes não caímos na conta que os outros precisam de mim, embora eu também tenha alguma incapacidade. Caminhar ao lado dos outros implica se colocar à disposição das necessidades do outro, mas também saber que os outros também se colocam à disposição minha para quando eu precisar.

Os significados.

O terceiro momento foi colocar uma questão gramatical: os significados das palavras igreja, paróquia e comunidade. É interessante perceber que a dimensão universal do nosso serviço na Igreja ainda não fica bem clara em nós mesmos.

Igreja significa “chamar para fora”;
Paróquia significa “habitar junto de”;
Comunidade significa “uma unidade em comum”.

Na nossa caminhada como cristãos precisamos compreender que estamos chamados a “sair para fora” como tem falado o Papa Francisco, em saída, mas juntos; com os que estão perto de mim, formando uma comunidade. Pertencemos a uma comunidade, mas uma comunidade que faz parte de uma Paróquia e uma Paróquia que faz parte de uma só Igreja.

Comunidade: casa dos cristãos.

Nossas comunidades na Paróquia têm que ser como fala o documento Comunidade de comunidades: uma nova paróquia: “um verdadeiro lar”.

Muitas vezes, as brigas não nos levam a tirar nenhum fruto, outras vezes sim, tempos de aprendizados. No caso das comunidades da Paróquia, experimenta-se um sentimento de lar, de fraternidade, de amizade; mas não assim quando se trata de outra comunidade que não seja a minha. Na caminhada esquecemos que fazemos parte de uma grande comunidade.

A missão da nossa Paróquia.

Para que a missão aconteça é necessário de nós mesmos. A paróquia não é um objeto que tenha vida em si, a paróquia tem vida porque somos nós que agimos nela, que participamos nela e dela.

Nossa Paroquia existe para ser sinal de Deus no mundo, para anunciar Jesus Cristo e seu projeto, através das relações entre as pessoas e com todas as coisas, no modo de Jesus, para que com Ele e por Ele vivamos a sua e a nossa Páscoa.

Nós não podemos atingir essa missão isoladamente. Precisamos da participação dos outros. Para “sair fora” e nos encontrar com os que moram perto de mim e colocar em comum a nossa vida é necessário que o outro também se encontre comigo. Eis o segredo para que a missão aconteça: eu ao encontro do outro no qual descubro que é Jesus mesmo que se faz presente.

A vinha verdadeira.

Não adianta ficar só no encontro, temos que agir. Nossa participação na comunidade paroquial deve ser eficaz, eficiente, mas sempre ligada a Jesus. Ele mesmo nos mostra como é que deve ser o nosso agir: Nele.

Para entender isso, a parábola da verdadeira vinheira (Jo 15,1-10) nos ensina que: a verdadeira videira é a comunidade unida em Cristo e fecunda, nele, no amor e na comunhão fraterna; os ramos devem permanecer unidos ao tronco para que produzam frutos.

É necessário permanecer em Jesus para produzir o fruto que Deus espera; Se permanecermos em comunhão com Jesus e “suas palavras permanecerem em nós”, receberemos tudo o que em seu nome convém pedir. O grande fruto é o AMOR FRATERNO.

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