Padre Elton: missão da paróquia e da liderança cristã

 

No início de maio, durante a reunião do Conselho Pastoral Paroquial, padre Elton Vitoriano, SJ, conduziu um momento de formação acerca da missão da paróquia e da liderança cristã. A pedido, ele traduziu em artigo, o assunto tratado naquele encontro. O que compartilhamos agora com vocês.

Missão da paróquia e da liderança cristã

Padre Elton Vitoriano, SJ

Para refletirmos sobre a missão da paróquia e da liderança cristã, nada melhor do que começarmos com a palavra de Deus. A primeira comunidade cristã é descrita nos Atos dos Apóstolos (2,42-47) da seguinte forma:

“Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum: vendiam suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo as necessidades de cada um. Dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo”.

Aqui temos, sintetizada, toda a nossa missão: leitura meditada da palavra de Deus (ensinamento dos apóstolos), comunhão, partilha de vida, eucaristia (fração do pão), oração e atenção aos mais necessitados. Tudo isso com alegria e simplicidade de  coração. Eis a nossa missão!

Todas as outras atividades e necessidades giram em torno desta descrição fundamental da vida em comunidade, da missão de nossa paróquia.

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Padre Elton Vitoriano, SJ

Nesta realidade de fé, a liderança cristã, os padres, os coordenadores de comunidades e pastorais, todos os que em nossa paróquia tem algum serviço de liderança não podem esquecer este mapa da vida cristã que é o trecho dos Atos dos apóstolos.

Fundamentalmente, nossa missão é a de ajudar outras pessoas a rezarem, a encontrarem na palavra de Deus luz para suas vidas e com isso viver na esperança e na caridade. É criar um ambiente fraterno, acolhedor, orante: para ajudar as pessoas a fazerem a experiência de encontro com Deus, encontro que ilumina a vida e nos faz sermos, no nosso dia-a-dia, diante das dificuldades e alegrias, missionários e missionárias do amor de Deus.

Ora, mas tudo isso acontece, no concreto da vida, nas atividades, orações, missas, visitas e pastorais de nossa paróquia. Os encontros com muitas pessoas marcam estas atividades.

Nós nos encontramos para rezar, programar atividades, perceber as necessidades, fazer pastoral. Toda paróquia existe e vai adiante com a ajuda e o serviço das pessoas nas pastorais. Veja só: batismo, crisma, catequese, liturgia, acolhida, vicentinos, cozinha, limpeza, e tantas outras pastorais, a lista é grande.

Como, então, diante desta multiplicidade de tarefas ainda manter o ânimo e a vontade de espalhar a palavra de Deus, como semente boa, pelo mundo? Como não cair num ativismo exagerado, ou num pessimismo paralisante? Como manter a esperança e a vontade de celebrar com alegria sempre?

DEIXAR-SE TRANSFORMAR PELA MANEIRA DE JESUS

A maneira mais simples e mais cristã é nos deixarmos transformar pela maneira de Jesus, ou seja, pela maneira como Jesus, nos evangelhos, fala, se encontra com as pessoas, age e reza. Iluminados pela ação de Jesus vamos tomando consciência que toda ação pastoral, ainda que perpassada pela graça e sob o dinamismo do Espírito Santo, não deixa de ser uma ação humana, sujeita às contingências de qualquer ação.

Assim, uma ação atenta à realidade que se vive, transformadora e criadora de um mundo melhor, implica três exigências básicas:

  • (1) Ter os pés no chão: partir da realidade é partir de onde se está, e não de onde gostaríamos de estar;
  • (2) Manter os olhos no horizonte: não há autêntica pastoral sem esperança, sem confiança na possibilidade de um futuro desejável, sem fé na possibilidade histórica da utopia do Reino de Deus;
  • (3) Colocar as mãos na massa: de nada vale a consciência da realidade e a esperança de que um dia pode ser diferente se não são realizadas ações concretas.

Portanto, amigos e amigas, para encerrar ficam perguntas simples, como exame de consciência:

  • Tenho os pés no chão?
  • Mantenho os olhos no horizonte?
  • Coloco a mão na massa?

E como exemplo, poético, desta nossa caminhada, deixo o poema de Adélia Prado (Bagagem, 1976):

Igreja é o melhor lugar.
Lá o gado de Deus para pra beber água,
rela um no outro os chifres
e espevita seus cheiros
que eu reconheço e gosto,
a modo de um cachorro.
É minha raça, estou em casa como no meu quarto.
Igreja é a casamata de nós.
Tudo lá fica seguro e doce,
tudo é ombro a ombro buscando a porta estreita.

 

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