MOVIMENTE-SE! Olhe para o lado e conheça a cidade onde mora

Fórum de Debates mostra cidade aos participantes e faz convite para envolvimento na busca por serviços públicos de qualidade

 

“Sentir-se Terra é mergulhar na comunidade terrenal,
no mundo dos irmãos e irmãs, todos filhos e filhas
da grande e generosa Mãe, a Terra.”
(Leonardo Boff)

O segundo encontro do Fórum de Debates da Semana Social 2014 teve início com a leitura de um trecho extraído do livro Saber Cuidar. Lidas pela integrante do grupo Amor Exigente, Andréa Alves, as palavras de Leonardo Boff foram inspiradoras para quem desejou, na noite dessa quarta-feira (27/8), conhecer um pouco mais sobre a cidade onde reside.

DSCF2411Conduzido pela vereadora Suzane Almada, com colaboração de Kate Rocha, integrante do Instituto Tucum de Promoção e Desenvolvimento Social, o encontro teve início com uma breve apresentação dos cerca de 60 participantes, na qual era preciso destacar o bairro onde moravam e outra localidade conhecida por eles em Santa Luzia.

Com a dinâmica, os participantes conseguiram citar 23 de um universo de 117 bairros da cidade. Uma mostra de que a cidade de Santa Luzia ainda guarda muitos mistérios aos seus moradores, principalmente para aqueles que residem na região do Distrito de São Benedito.

Vídeo institucional apresenta a cidade, aliás, parte dela.

Para ajudar a pensar a cidade e o sentimento de pertencimento à ela, Suzane Almada reproduziu o vídeo “Conheça Santa Luzia, Minas Gerais”, um peça institucional, produzida pela Prefeitura em 2011 com o objetivo de incluir a cidade no roteiro turístico mineiro. Atentos ao conteúdo apresentado, logo surgiram questionamentos, como o da a educadora Simone Ribeiro – ‘Faltou o São Benedito?’.

DSCF2425De acordo com a vereadora Suzane Duarte, o vídeo pode ter sido construído em função de uma campanha promocional da cidade, e por esse motivo deveria destacar todas as expressões existentes nesse território. “Usamos o vídeo para provocar os participantes ao sentimento de pertencimento à cidade, uma vez que é perceptível do início ao fim, a exclusão de realidades e situações importantes para a compreensão do município de Santa Luzia”, disse.

Moradora de Santa Luzia há quase 60 anos, Elza Maria se reconheceu no filme, pois cresceu no Centro Histórico e na região conhecida como Parte Baixa, mas sentiu-se contrariada ao assistir o filme. “Faltou um pedacinho de mim, não vi lugares que fazem parte da cidade e da história de todos nós”, lamentou. Como que em uma parábola, Evangelista Nogueira afirmou que o vídeo apresenta somente a sala da casa, a parte bonita. “A cozinha, os quartos e a área de serviço são omitidos do início ao fim. Só quero saber uma coisa. Onde estão nossos bairros?”, perguntou.

Cidade, eu aconheço? 

Para responder à pergunta do dia, Kate Rocha conduziu um trabalho em grupo, no qual os participantes receberam alfinetes e plaquinhas para, no mapa da cidade de Santa Luzia, apontar bairros e regiões, além de destacar os equipamentos públicos e privados da cidade.

Após alguns minutos do início da tarefa, os participantes encontraram cenário mais problemático, que está muito além da falta de reconhecimento em um vídeo institucional. Para citar exemplos, integrantes do grupo 4 destacaram a centralização da administração municipal e a falta de serviços regionalizados, além de não conseguir apontar a existência de equipamentos culturais na região do São Benedito.

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Quando o tema cultura foi citado, outros grupos voltaram a afirmar que, desde a década de 1980, o Teatro Municipal está fechado, que a cidade não conta com cinemas e outros equipamentos culturais. As crianças que participavam da dinâmica estavam interessadas em descobrir onde estavam situados os parques municipais e as áreas de lazer, espaços que não foram reconhecidos pelos participantes.

Outro ponto de discussão apresentado pelos grupos diz respeito à destinação do lixo. “Eu sei que os caminhões percorrem as ruas da cidade, mas onde é levado nosso lixo, existe um lixão na cidade?”, indagou a educadora Simone Ribeiro.  De acordo com a vereadora Suzane, o aterro sanitário de Santa Luzia existe e está localizado no bairro Barreiro do Amaral.

Confira o que o grupo 1 encontrou no mapa de Santa Luzia, uma cidade que demora a oferecer serviços públicos e quando o faz, concentra tudo em algumas regiões.

Diante de tantas faltas, devemos desistir ou trabalhar para mudar a realidade? 

Antes de encerrar as discussões e promover um retorno de pessoas cabisbaixas para suas casas, devido a tantos serviços não oferecidos no cenário luziense, Kate Rocha convidou os participantes da segunda noite do Fórum de Debates a falar em voz alta o que cada um desejava para a cidade. Confira abaixo, o sonho de diversos luzienses que buscam conhecer um pouco mais dessa cidade, para que o direito à ela seja garantido para todos e todas.

  • Saúde digna para todos os moradores.
  • Mobilização do povo para buscar as mudanças necessárias.
  • Respeito entre todas as pessoas da cidade.
  • Escolas e creches de qualidade para as crianças luzienses.
  • Gestores comprometidos com a coisa pública.
  • Jovens com direito ao lazer, educação, segurança e formação profissional.
  • Direito ao lazer para as crianças.
  • Administração pública comprometida com as necessidades da população.

DSCF2474O coordenador dos programas Fica Vivo e Mediação de Conflitos dos bairros Palmital e Via Colégio, Loarley José, destacou que momentos de reflexão como os que foram vividos na noite dessa quarta-feira são importantes para discutir e pensar soluções para os problemas dos bairros e da cidade. “Esse movimento sinaliza para uma grande mobilização para resolver ou minimizar as faltas encontras”, destacou.

“O encontro teve o papel de injetar animo nas pessoas”, ponderou a irmã Lourdes Silveira, que mesmo diante de tantas faltas afirmou que este espaço de discussão contribui para que as pessoas tomem consciência e despertem para uma real mobilização em prol do bem comum.

População de Santa Luzia e do distrito de São Benedito. 

žAté 1950, o município de Santa Luzia estava concentrado na região conhecida hoje como Sede. Com a instalação do Frigorífico Minas Gerais, em 1959, a cidade passa por um primeiro movimento de ampliação da população local.  Neste mesmo ano, foi inaugurado o primeiro conjunto habitacional da cidade, o Carreira Comprida, conhecido pelo nome de Frimisa.

O que muita gente desconhece é que o trajeto entre o Frimisa e Venda Nova foi o grande impulsionador do crescimento da região do Distrito de São Benedito, tendo em vista que uma estrada começou a cortar fazendas nessa região fazendo a ligação entre a  cidade de Santa Luzia e a região Norte de Belo Horizonte. Nesse percurso, os bairros Duquesa, Baronesa, Londrina, São Benedito e São Cosme começam a ganhar forma.

DSCF2448Na década de 1980, ocorre a implantação dos conjuntos habitacionais Cristina e Palmital, fato que colabora para que a região do Distrito tenha a maior concentração de população da cidade. Ao redor desses dois conjuntos, já na década de 90, surgem os bairros que futuramente também estariam na área de abrangência da Paróquia Santíssima Trindade: Nova Conquista, Nova Esperança, Belo Vale, Castanheiras e Três Corações.

Ao voltar um pouco no tempo, descobre-se que a história de Santa Luzia teve início no ano de 1692, com a exploração mineral nas terras da capitania de Minas Gerais. A cidade não era uma produtora de minerais preciosos, mas guardou a passagem e o comércio para os viajantes que seguiam para as regiões mineradoras.

Com 322 anos, a cidade de Santa Luzia está localizada a 25 km da capital mineira, fazendo limites  com a própria Belo Horizonte, além dos municípios de Lagoa Santa, Vespasiano, Taquaraçu de Minas, Sabará e Jaboticatubas. Parte da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, a cidade é cortada pelo Rio das Velhas, fato que colabora com a constituição das regiões da cidade, antes conhecida pelas Parte Alta e a Parte Baixa.

De acordo com os dados do IBGE, Censo/2010, a população local é composta por 59% de pardos, 14% de pretos e 27% de brancos, em um universo de de 202.942 pessoas.

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